Infinito.

Portrait casal

“Poderia ter sido uma manhã de sábado como todas as outras, sem nada de especial, mas algo aconteceu no dia 30 de setembro de 1983 que tornou essa data uma das mais importantes de toda a minha vida. E eu jamais vou me esquecer.

Ainda hoje, sinto no meu coração toda a emoção que senti naquele dia.

Eu e a minha amiga levantamos cedo, deixamos o apartamento onde morávamos na Rua Vergueiro todo desarrumado, e fomos pra Rua 25 de Março tentar fazer compras com o mínimo de dinheiro possível.

Retornamos quando o relógio marcava quase 13:00hs, com alguns cortes de tecido, e um par de sapatilhas de lona verde que, segundo minha amiga, me deixava linda!

Entramos, fizemos um lanche e decidimos que a arrumação semanal do apartamento poderia esperar porque nós precisávamos ir ao shopping pesquisar novos modelos de vestidos pra fazer com os nossos novos tecidos.

Mas, quando estávamos saindo, quase fechando a porta, eis que o interfone toca e ao atender, o Sr. José, porteiro, diz:

- Dona Suzana, encontra-se aqui na portaria um moço com o nome de Otto que veio visitar a Maria Izilda. Ele pode subir?

Imediatamente mudamos os planos porque o moço chamado Otto, amigo de classe da Maria Izilda, já era bem famoso entre nós. Segundo ela, era o cara mais engraçado da Faculdade.

Certa noite, ela chegou em casa morrendo de rir e me contou que o motivo era a redação “Mi caballo” que o colega, Otto, havia escrito na aula de Espanhol. Percebendo a gozação, o professor pediu para que ele lesse e toda a classe pudesse ouvir. E toda a classe morreu de rir.

Depois disso, fiquei curiosa pra conhecer esse moço tão divertido e essa era minha oportunidade.

Enquanto ele subia, corremos pra dar uma ajeitada no apartamento e quando ele tocou a campainha, eu abri a porta e…

Minha vida nunca mais foi a mesma…

Na minha frente estava o homem mais meigo que já havia visto, com seus olhinhos risonhos brilhando por trás das lentes grossas de um pequeno óculos redondo. Eram os olhos castanhos mais lindos que já havia visto e eu me apaixonei por eles.

Lembro-me que você usava calça jeans clara e uma camisa também azul clara com detalhes brancos. Passamos a tarde juntos conversando sobre faculdade, amigos, teatro.

Minha maior felicidade foi atender seu telefonema alguns dias depois me convidando pra sair. Recusei a primeira vez por pensar que você estava interessado em minha amiga, mas não consegui por muito tempo.

Você começou a passar lá no apartamento com a desculpa de ir ver a minha amiga, mas justamente nos horários que ela não estava, e nós ficávamos papeando, lembra? Você levava até vinho pra gente beber… safadinho.

Você me convidou novamente pra sairmos e quando eu disse que não podia, imediatamente ouvi:

- Se não sairmos hoje, não sairemos nunca mais.

Nunca me esqueço. Senti firmeza e fui!

Portrait casal

E foi assim que tudo começou.

Saímos juntos pela primeira vez e fomos jantar numa cantina com o nome de Capuano, e confesso que fiquei um pouco assustada. O garçom, chegando à nossa mesa, disse: Boa noite doutor, vai o de sempre?

De sempre? Pensei….será que ele traz todas as namoradas aqui? Devem ser muitas… Mas resolvi arriscar. Sábia decisão!

Morávamos perto e começamos a passar muito tempo juntos. Lembro-me que no domingo à noite era muito difícil, pra mim, me separar de você, por já sentir saudades.

Ficávamos longe toda a semana, mas na sexta-feira, meu coração já se aquietava por saber que ficaríamos juntos por dois dias seguidos. Era um verdadeiro sonho.

Sábado pela manhã, café com pão de queijo no “Trem Bão”.
Nossa primeira viagem juntos foi pra Ubatuba, pra casa da “veia”, lembra? Foi ótimo…

Em Dezembro de 1983, na festa de final de ano da Noronha Advogados, fui sorteada e ganhei uma viagem para o Rio, com passagem e hotel pra duas pessoas. Na noite da festa eu não pude participar porque tive prova na faculdade, mas na manhã seguinte, um sábado, recebi um telegrama (sim, telegrama) da minha amiga Marianna, que dizia: – “ganhou viagem Rio”. Quando abri o telegrama, estávamos, eu e você, no elevador do prédio onde eu morava. Logo que li você gritou: “Oba, vamos pro Rio!” Nem pensei em convidar outra pessoa. E fomos. Passamos o carnaval de 1984 no Rio, e de graça.

Próxima viagem – Toque-Toque Pequeno no litoral norte do Estado de S.P. Você tinha um gol verde escuro metálico, que havia comprado do “Cabeça” (seu pai). Esse carro tinha um engate e você alugou uma carretinha pra levarmos sua moto Yamaha 125 pro litoral. Que farra!

Partimos, com mochilas, moto e uma barraquinha de camping azul, projetada pra caber uma pessoa, mas cabíamos nós dois e sobrava espaço.

Montamos acampamento debaixo de um telhadinho que tinha no terreno do caiçara pescador, Messias, que ficava bem na praia.

Pela manhã, ficávamos curtindo a praia e à tarde, íamos, de moto, tomar sorvete de brigadeiro no Rochinha e comprar pão em São Sebastião. Muitos dias pegávamos chuva na volta, mas era tudo tão divertido, que ninguém reclamava. E a força que a motinho fazia pra subir a serra com a gente?

Parávamos no caminho pra tirar fotos. Você já adorava fotografar com sua máquina Cânon americana – “os americanos são ótimos”. Fotografava o pôr-do-sol e também tirava fotos minhas, com meu cabelo encaracolado de permanente, solto ao vento….Você achava lindo….

30 anos depois…

Certa vez emprestei meu colar de conchinhas e você também ficou lindo na foto.

E Paraty? Ficávamos na Pousada do Forte que era do “Dr. Biguer” (nome alemão que não sei como se escreve).

Gastávamos todo o nosso salário em viagens. Que delícia!

Você sempre foi ótima companhia. Que sorte eu tive!

Comecei a “esquecer” umas pecinhas de roupas no seu apartamento e no início de 1985 resolvemos morar juntos no apartamento da Rua Armando Ferrentini. Era um apartamento bem pequeno com um quarto, um banheiro, uma salinha e uma mini-cozinha junto com o tanque. Era um palácio pra nós. Significava muito.

Você também tinha um trailer que ficava estacionado no sítio. Pronto! Reformamos o trailer, vendemos, compramos um maior (que o Gerson foi buscar) e estacionamos num camping em Extrema. Era nossa casa de campo.

Tudo era alegria!

Nunca me esqueço que desde que nos conhecemos, você sempre falou em ter seu próprio negócio. Algo que lhe desse prazer, dinheiro e que não fosse necessário trabalhar nos finais de semana.

Correndo atrás desse sonho, você teve uma máquina de terraplanagem, plantação de abobrinha e foi representante de vinícolas do Sul. Tivemos uma escola de inglês e um auditório. Fabricamos gravatas de couro e pesquisamos sobre bebedouro de cachorro. Tudo isso como uma segunda atividade. Nada deu muito certo.

Entrei na sua vida na época da representação da vinícola que fabricava o vinho “Do Lugar”. Experimentamos muitos vinhos… Era uma boa atividade.

Em 1989, engravidamos da Gabi. Engravidamos e foi uma alegria! Você participou de tudo. Toda noite comíamos Neston com leite. Até quando eu tinha enjôos você também me fazia companhia…

Em 1990 quando a Gabi nasceu, sentimos maior responsabilidade e você se empenhou ainda mais em ter seu próprio negócio. E conseguiu. E quantas emoções mais vieram…

Gabriela…

Gabriela…

Você se associou ao João e começou a Vogler! Que realização!

Mas, como pagar o Colégio Miguel de Cervantes, o melhor colégio pra Gabi, com meu pequeno salário e sem que você tivesse pró-labore ainda? Compramos uma Besta, tirei o salto e resolvemos mais esse problema: – Surgiu “a besta da Tia Suzy”. Empresa de transporte escolar que levei por 5 anos…

Eu sei todo o esforço que você fez, por tudo o que passou, ou melhor, pelo que passamos. Lutamos muito, sempre juntos. Lembra da Saveiro, do Gol vermelho?

Quanto trabalho… Quanta preocupação… Mas acho que conseguimos.

Que sorte e que prazer estar ao lado de um homem tão inteligente, equilibrado, esforçado, honesto e bem humorado! Sempre rimos muito. Ninguém faz imitações como você… Acha!!!!!

Tivemos momentos de dificuldades extremas, mas nós dois resolvemos todas elas. Não existiram culpados, somente pessoas comuns tentando ser felizes.

Tivemos atitudes que nos magoaram, mas o coração falou mais alto sempre.

E a vida foi passando.

Hoje, 30 de Setembro de 2008, fazemos 25 anos de “juntinhos”.

O que eu sinto? Felicidade! Gratidão! Carinho! Amor!

Um dia eu tive um sonho, sonho de ser feliz. Realizei meu sonho e realizo a cada dia que passo ao seu lado e ao lado da Gabi. Que sorte eu tive e que sorte eu tenho!

Eu te amei quando jovem, eu te amo como adulta e vou te amar pra sempre. Você será sempre o meu lindinho! Te admiro demais.

Obrigada por ter dividido esses 25 anos de sua vida comigo.

Foi tudo o que eu sempre sonhei!

Suzana.”

Book família

Eu fico com os olhos marejados…
este ano vocês completam 30 anos juntos…com Olhos nos Olhos. Família linda, vocês são inspiração Suzana!

Que aliança eterna é esta que o casamento nos propõe? Quantos desafios…privilégio, benção, sorte.

Este ano, no dia 10.06.2013, espero completar bodas de Turquesa com meu marido… digo espero pois passados os primeiros anos em que tudo é novidade e motivo de alegria, hoje sei que o Amor é eterno, mas isto não quer dizer que ele não mude!

Ao longo destes 17 anos casada percebo que o Amor é dedicação diária e nos pequenos gestos, de ambas as partes.

Dizem que a alma do outro é uma floresta escura… muitas vezes não nos conhecemos e nos deparamos com novas situações que nos fazem descobrir novos “Eus”, o que dirá conhecer verdadeiramente o companheiro ao seu lado. Daí vem a família, filhos, como se fossem as raizes, tronco, folhas da árvore/relação que decidimos plantar, regar, crescer e florescer.

Às vezes percebo que A verdade que nos resta, a todos nós, é a certeza de que não há nada em que se segurar – exceto a realidade de realizar o presente, seja lá o que ele for. E com muito, mas muito Amor incondicional!

Quantas vezes pensamos que éramos felizes, e era apenas um engano? E quantas vezes fomos felizes, e estávamos tão distraídos que nem percebemos?
Almejo sim, o forever and ever, mas que seja infinito enquanto dure.

Registre o seu Amor! Um click pode mudar tudo!

We love backstage!