2016….

“A felicidade MORA nos DETALHES, no mínimo…aprendendo isso num mundo que prioriza o máximo!”

Detalhes em gentileza, educação, respeito, amor ao próximo, na brisa, no cheiro do “cangote” dos meus filhos ou numa rosa, no por-do-sol, que faz um espetáculo todos os dias. Numa oração, no silêncio que fala alto, aonde estiver, que a alegria seja de dentro para fora, da essência, pois assim permanece!

Feliz 2016….

O tempo…

Musée d’Orsay @Anna Alvarenga

Mais um ano se passou, e com ele, muitos desafios, conquistas e vitórias. Com certeza um ano de muito aprendizado, mas sempre com uma dose que acredito ser essencial, o Amor!

E com amor vários retratos revelados, estórias, memórias afetivas, novas pessoas em meu caminho, com as quais pude interagir e evoluir. Mesmo algumas ficando mais tempo que outras, o importante é o caminhar. E sou agradecida por tudo em minha vida, até nos momentos difíceis, que é quando mais amadureço e me fortaleço. Quero que minha fotografia desenhe, escreva com luz. Registro daquilo que pouco se vê. Fotografias de casamento, gestações, famílias, crianças, adolescentes, espontâneas e/ou posadas, mas que acima de tudo registrem além das imagens, sentimentos, promessas. Significando e emoldurando a passagem do tempo, da vida.

Fotografar, perpetuar, inspirar, revelar, filosofar!

Um click pode mudar tudo…

Agradeço imensamente a todos os leitores do blog, aos que comentam neste espaço ou pessoalmente, que me prestigiam! Com certeza cada vez mais me empenho em trazer a tona assuntos interessantes e diversificados, além das minhas paixões e ofício que são a poesia e a fotografia.

Que 2013 seja um ano ainda mais promissor, com diferentes e novos desafios e conquistas, perspectivas renovadas, e o desejo de que o novo ano traga ainda mais tonalidades de cores, em todos os sentidos e direções de nossas vidas.

Acho lindo esse texto, por isso a tatuagem no meu blog.

Au Revoir,

Anna

“Ao desfazer a mala percebi, chateado, que um dos pés da meia verde tinha ficado lá na praia. Àquela hora, devia estar caído atrás do armário da pousada, quem sabe até já não tivesse virado pano de chão, saquinho de parafuso, flanela para encerar móveis? Se fosse um casaco, uma calça, uma gravata, ainda haveria chances de ir parar num Achados e Perdidos, numa gaveta da recepção, mas um pé de meia? Quem se dá ao trabalho de ligar, perguntar se por acaso, mas que bom, Sedex tá ótimo, me passa a sua conta que te envio um DOC? No entanto, como já disse, fiquei chateado.

Aquelas meias haviam sido compradas na primeira viagem que fiz com a minha mulher, poucos meses depois de começarmos a namorar. Uma viagem em que cruzamos os Estados Unidos de carro, sem rumo, parando de cidade em cidade, dormindo em motéis de beira de estrada e nos descobrindo –descobrindo, por exemplo, que eu não era o tipo de cara que gosta de cruzar um país de carro, sem rumo, parando de cidade em cidade, dormindo em motéis de beira de estrada. Meu apego por “road movies”, me dei conta, enquanto discutia com a voz do GPS numa highway de oito pistas em algum lugar do Arizona, tinha mais a ver com “movies” do que com “road”. (Há uma diferença nada sutil entre assistir à “Paris, Texas” e estar em “Paris, Texas” –a diferença, digamos, entre um deserto e uma poltrona.)

Foi lá pelo meio da viagem, quando eu estava aflito, espremido entre caminhões mastodônticos e o possível fim do namoro –ela sempre querendo ver o que havia do lado de lá da montanha, eu sugerindo tomar uma cerveja na próxima esquina- que comprei as tais meias, numa cidadezinha em Nevada. Eram grossas, confortáveis, meias de domingo, daquele velho domingo que “pede cachimbo” na canção infantil. Apesar de estrangeiras, emanava delas o inconfundível aroma do lar. Algo sutil, claro: mas não é nas sutilezas que Deus e o Diabo se escondem? Pois as meias verdes amaciaram um pouco aqueles dias atribulados.

Teve uma tarde, já no fim da viagem, em que subimos um platô em Monument Valley, no Arizona. Um cenário de faroeste, digno de John Wayne ou Papa-Léguas, e, embora –ou talvez exatamente porque– escalar um platô no meio do deserto fosse a caricatura do que me desagradava no pacote aventura, a epítome do desconforto, consegui relaxar e aproveitar. Ao chegar lá no alto, suados, tiramos os sapatos, ficamos em silêncio, um encostado no outro, admirando a paisagem marciana.

Anos depois, mesmo tendo lavado dezenas de vezes as meias verdes, uma manchinha da terra vermelha de Monument Valley resistia, impregnada às suas fibras. Sempre que abria a gaveta e as via, me voltava à memória aquele momento da viagem, o momento em que entendi que o namoro, apesar de nossas diferenças –eu, poltrona; ela, platôs– iria dar certo. E deu.
Agora, um pé de meia tá lá na Barra do Sahy, passando óleo de peroba na mesa do café da manhã, o outro irá inexoravelmente pro lixinho do banheiro. Fazer o quê?

Veja, não é pela meia que eu fico triste, não. É a vida que, num detalhezinho aqui, noutro ali, tão rápido, vai ficando para trás, percebem?”

Antonio Prata para a Folha de S.P.

Até dentro de você nascer. Nascer o que há.

Mas se você vem perto eu vou lá. Eu vou lá.

“Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos

Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois

Depois de esgotar
O tempo regulamentar

De um lado o olho desaforo
Que diz o meu nariz arrebitado
Que não levo para casa

Mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá

No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança

E dentro da menina
Ainda dança

E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer
Nascer o que há.”