Silêncio de lantejoulas.

Da minha janela.

Súdita que sou, brilhante, imersa em uma sociedade de lantejoulas, eu nunca havia percebido: o silêncio.

Dentro do silencio REINA a consciência. Ela situa o que tenho a minha volta. No silêncio, estou no meu trono.

No início é estranho. Nenhum ruído me dirige, nenhuma sensação me delimita. É preciso me tornar minúscula para me reencontrar nessa desolação átona dos elementos da vida.

Depois, acabo descobrindo o infinitamente pequeno. Eu não existo no facebook. Eu não existo no instagram. Eu me reinvento dentro de mim mesma. Eu sou mais feliz sem selfies. Eu sou mais feliz sem esperar os likes do que sou, de onde vou, com quem vou.

Ao contrário, eu gosto e me satisfaço no meu infinito particular. Sem intervenção externa. Isto me liberta. Me deixa leve.

Eu me acostumo com a minha presença, em si. Eu me observo sem me entediar. Vivo a explosão que há em mim mesma. Fortaleço-me na minha existência, percebo minhas sensações.

E é no fundo de mim mesma, em minha interioridade, em meu mistério, que encontro o Outro.

2016….

“A felicidade MORA nos DETALHES, no mínimo…aprendendo isso num mundo que prioriza o máximo!”

Detalhes em gentileza, educação, respeito, amor ao próximo, na brisa, no cheiro do “cangote” dos meus filhos ou numa rosa, no por-do-sol, que faz um espetáculo todos os dias. Numa oração, no silêncio que fala alto, aonde estiver, que a alegria seja de dentro para fora, da essência, pois assim permanece!

Feliz 2016….

Luxo…

Luxo é tempo, espaço e silêncio.

Luxo não é sinônimo de riqueza e pretensão.

Luxo é ter paz de espírito.

Luxo são pequenos detalhes que nos fazem
sentir bem.

Exemplo: tomar um café com vista para o mar.

Luxo é a mão estendida.

A contemplação de um anoitecer.

O desenho que os pingos de chuva formam
na janela.

Uma flor.

Pode ser a escolha do nome para o filho(a).

O silêncio absoluto em um mundo dominado pelo
barulho, pelo som, pelos ruídos.

Generosidade é um luxo.

O luxo está nas pequenas coisas
que,

na realidade, são enormes
como:

o amor ao próximo,

o perdão,

a dignidade.

Além das palavras…

É da natureza humana festejar o amor. Me emociono e festejo internamente a benção de encontros
como este, entre 4 gerações…fico encantada e com o coração batendo forte. Espero também um
dia ter uma fotografia assim, com meus filhos, noras, neto(a)s, quem sabe bisneto(a)s!

A família é a maior benção que Deus proporciona aos que O amam. Através dela,
um sentido que faz sentido nos é proporcionado no decorrer dos dias, dos anos,
do tempo, da vida.

Uns correm atrás de status, de posições, correm atrás de vaidades passageiras e mundanas,
ilusões que a TV anuncia, que os shoppings vendem, que muitos valorizam. Outros, correm
atrás de amor, de fidelidade, de valores e princípios eternos.

Tenho o privilégio de perceber alicerces sólidos sendo construídos, geração a geração,
através do meu ofício. Melhor parte que me cabe, além das fotografias, é ir na essência
de cada núcleo familiar, suas entranhas, percebendo o não dito por palavras, mas
por raizes, sementes plantadas anos atrás e dando seus frutos num amanhã que com a
ternura do tempo passa a ser o hoje. O reCOMEÇO eterno…

Cada integrante traz consigo um vasto repertório pessoal, convivendo com semelhanças e
diferenças, e encontrando denominadores comuns que definem cada família…






Perceber o ciclo da vida ao fotografar gerações me comove e dá novo ânimo para reCRIAR o meu
viver diariamente.

Acredito que o amor não seja somente um sentimento, mas também uma decisão e atitude diários!

Parabéns família Riça! Vocês são inspiração!

“Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor.
Porque ele é como a árvore plantada junto ás águas,
que estende as suas raízes para o ribeiro e
não receia quando vem o calor,
mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba,
nem deixa de dar fruto.”

Jeremias 17:7-10

“Autodefinição”

Ouço falar de Oscar Niemeyer desde criança, cujas obras conheci na lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte.

Igreja São Francisco de Assis, em Belo Horizonte, M.G.

Latino-americano, revolucionário, poeta. Apreciava sua coerência e modéstia. Comunista, generoso e firme, exilou-se em Paris durante a ditadura militar.

Para qualquer grande artista,o limite da expressão é a sua própria imaginação. Niemeyer foi ampliando esses limites ao longo de sua trajetória. Estudou Einstein e frequentemente o citava: “Das curvas é feito todo o Universo, o Universo curvo de Einstein”.

Sempre focado, ele parecia não se dispersar em questões secundárias.

Li que Niemeyer, aos 102 anos de idade, recebia um grupo de amigos toda semana, para aulas de cosmologia e astrofísica ministradas no seu escritório na Avenida Atlântica por um professor de física. Seu entusiasmo em aprender lembra um jovem estudante.

Era instigado, queria entender a estrutura do Universo, espaço sem fim, e os movimentos dos astros e dos planetas.

Museu de Niteroi

Niemeyer sempre projetou com aguda intuição: a história acaba nos ensinando que os movimentos de vanguarda aconteceram porque artistas certos conseguiram dar um passo adiante em relação ao establishment da arte.

Desde a Pampulha, Niemeyer parece avançar pelo desconhecido, alcançando o ineditismo.

Parecia haver uma inovação inquietante…

O edifício Copan, em São Paulo, é uma visão urbanística, com forte e elegante arquitetura, marco contemporâneo da cidade. A marquise do Ibirapuera, que Niemeyer desenhou para constituir-se num agradabilíssimo centro de convivência.
O MAC de Niterói, corajosa referência de cultura e arte na baía de Guanabara. A Catedral de Brasília, na qual se entra pelo subsolo, chega-se à nave, aberta para o céu.

Catedral de Brasília, D.F.

Arrepiando os preconceitos conservadores, Niemeyer sempre disse que a função mais importante da arquitetura é a beleza. Transformou a arquitetura na expressão reluzente da arte.

Essa é a arquitetura com que Niemeyer enriqueceu nossa arte e, por isso, será referência nos próximos séculos e provavelmente milênios.

Congresso de Brasília, D.F.


É dele esse belo poema, institulado “Autodefinição”, que sempre gosto de ler e considero uma fonte inspiradora:

“Na folha branca de papel faço o meu risco
Retas e curvas entrelaçadas
E prossigo atento e tudo arrisco
na procura das formas desejadas
São templos e palácios soltos pelo ar,
pássaros alados, o que você quiser
Mas se os olhar um pouco devagar,
encontrará, em todos, os encantos da mulher
Deixo de lado o sonho que sonhava
A miséria do mundo me revolta
Quero pouco, muito pouco, quase nada
A arquitetura que faço não importa
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.”

Oscar vai, Niemeyer fica.

Oscar Niemeyer, o artista, o arquiteto, o poeta, alma inspiradora…

Fotos: Google images. / Fonte de pesquisa: Wikipédia.